Tribunais de Justiça registram apoio a iniciativa do CNJ para solucionar execuções fiscais

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10º Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), presidente do CNJ e do STF, ministro Luís Roberto Barroso - Foto: Bruno Dantas/TJRJ
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Os presidentes dos tribunais de Justiça do Brasil asseveraram a relevância da iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de implementação da Resolução CNJ n. 547 /2024. O normativo institui medidas de tratamento racional e eficiente na tramitação das execuções fiscais pendentes no Poder Judiciário.

A carta assinada ao final do X Encontro do Conselho dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), no Rio de Janeiro, na sexta-feira (15/3), destaca que o normativo prevê a extinção das execuções fiscais com valor de até R$ 10 mil em que não haja movimentação útil há mais de um ano sem citação do executado. O documento acrescenta que é prevista a extinção também quando, ainda que citado o executado, não tenham sido localizados bens penhoráveis.

No texto, os presidentes classificam a medida como “eficaz para o tratamento racional e eficiente na tramitação das execuções fiscais pendentes no Poder Judiciário”. Os dados do Relatório Justiça em Números 2023 (ano-base 2022) mostram que as execuções fiscais são o principal fator de morosidade do Poder Judiciário. Elas respondem por 34% do acervo pendente, com taxa de congestionamento de 88% e tempo médio de tramitação de 6 anos e 7 meses até a baixa.

A Resolução CNJ n. 547 /2024 foi adotada a partir do julgamento do Tema 1184 da repercussão geral pelo STF, em dezembro de 2023, quando o Plenário apreciou o Recurso Extraordinário 1.355.208. Na ocasião, o STF considerou legítima a extinção de execução fiscal de baixo valor pela ausência de interesse de agir. Os ministros levaram em conta o princípio constitucional da eficiência administrativa, respeitada a competência constitucional de cada ente federado.

Ficou estabelecido ainda que o ajuizamento da execução fiscal dependerá da adoção prévia de tentativa de conciliação ou adoção de solução administrativa e de protesto do título, salvo por motivo de eficiência administrativa, comprovando-se a inadequação da medida. Para adoção desses passos, os entes federados podem, inclusive, pedir a suspensão de processos de execução fiscal que estejam em andamento.

Campanhas do CNJ

O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, participou do evento na manhã desta sexta-feira. Ele foi homenageado com uma placa e uma medalha cunhada em Minas Gerais, que traz no verso o nome dos sete tribunais brasileiros que completaram 150 anos – TJCE, TJGO, TJMT, TJMG, TJPA, TJRS e TJSP.

Na ocasião, o ministro fez um balanço das ações adotadas e campanhas realizadas pelo CNJ. Entre as ações, referiu-se a “Mais Mulheres”, que visa o ingresso de mais mulheres nos tribunais de Justiça do país, e a campanha da violência contra a mulher, que se tornou, nas palavras do ministro, uma epidemia que se espalha pelo país.

“É uma campanha de conscientização de que as mulheres não são propriedades dos homens e que esse comportamento machista e de dominação é um comportamento inaceitável. Uma campanha para enfrentar uma cultura machista de agressão do homem contra a mulher”, destacou ele, que mencionou ainda uma nova campanha para proteção da infância. Ao lado, a conselheira do CNJ Renata Gil acompanhou a fala do ministro. Em fevereiro, ela assumiu a supervisão da Política Judiciária de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres e do Fórum Nacional da Infância e da Juventude (Foninj).

O ministro Barroso também citou acordos firmados pelo Conselho para promover apoio para pessoas negras e indígenas para ingresso na magistratura. Serão concedidas bolsas, fornecidas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e garantidas com parcerias da iniciativa privada.

Participaram da sessão de homenagem, o presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo, e o presidente do Consepre e do Tribunal de Goiás, desembargador Carlos Alberto França. Estiveram presentes mais 21 presidentes de tribunais de Justiça estaduais do país além da presidente da Amaerj, juíza Eunice Haddad.

10º Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Cardozo; presidente do CNJ e do STF, ministro Luís Roberto Barroso; e presidente do Consepre, desembargador Carlos França – Foto: Bruno Dantas/TJRJ

Inclusão digital

O conselheiro apresentou um panorama sobre a implantação do Ponto de Inclusão Digital (PID), em todo o país. Para ele, mais que um programa de inclusão digital, o PID é um programa de acesso à cidadania. “O PID permite levar a Justiça onde ela nunca esteve e, provavelmente, jamais estaria. Mas além do Judiciário, o programa permite a atuação integrada com outros serviços públicos, possibilitando o primeiro acesso a documentos, saúde, entre outras ações sociais”, ressaltou.

Para o conselheiro, a ideia do PID é, além de alcançar populações que ainda não têm acesso aos serviços, atuar de forma integrada com outros serviços já em desenvolvimento. “A ideia do programa é atuar como ponto de convergência de vários serviços públicos que já são oferecidos às populações desassistidas. O PID não exclui nenhum serviço já existente, como por exemplo, a Justiça Itinerante Fluvial. A ideia é atuar de forma integrada e conjunta. É a Justiça brasileira abrindo as portas para a cidadania”, concluiu.

Leia a íntegra da Carta

Texto: Mariana Mainenti
Edição: Sarah Barros
Agência CNJ de Notícias, com informações do TJRJ

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