Parceria oferece educação e trabalho para mulheres presas no Pará

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Foto: TJPA
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Educação, trabalho e oportunidade são os princípios do projeto Realize, voltado a mulheres custodiadas no Centro de Reeducação Feminino de Ananindeua (PA). O projeto foi lançado na sexta-feira (9/4), com a participação do desembargador José Roberto Maia Bezerra Junior, coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), e do juiz titular da Vara de Execução Penal da região metropolitana de Belém (PA), Deomar Barroso, além de outras autoridades ligadas à segurança pública e ao sistema carcerário no estado.

Criado a partir de um acordo firmado pelo Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária e a Faculdade Estácio do Pará, o projeto tem o objetivo de contribuir para a garantia de direitos das mulheres custodiadas, sobretudo em relação a educação, a profissionalização e ao fomento ao empreendedorismo, além da prestação de atendimentos psicossociais e jurídicos às detentas. O projeto Realize busca tornar mulheres protagonistas de suas vidas, libertando-as dos ciclos viciosos da violência e, assim, trazendo benefícios a toda a sociedade por meio da educação e do empreendedorismo.

De acordo com dinâmica do projeto, após a realização do diagnóstico social, as custodiadas passarão a ser acompanhadas por alunos e professores da faculdade, que executarão uma série de ações, atividades e cursos profissionalizantes, voltados a Serviço Social, Pedagogia, Psicopedagogia, Administração, Ciências Contábeis, Design de Moda, Direito, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Tecnologia da Informação. O projeto prevê o desenvolvimento de carreiras, qualificação para o mercado de trabalho, cursos sobre abertura de pequenos negócios, palestras sobre educação financeira e comunicação interpessoal, oficinas voltadas à área da moda, confecção de bijuterias, cursos de digitação e navegação na internet, além da prestação de assistência jurídica às custodiadas.

Além de acompanhar a gestão do termo de cooperação e prestar apoio à Faculdade, o TJPA deverá fornecer ônibus para o transporte das alunas às aulas, bem como garantir local e materiais adequados no Centro de Reeducação Feminino para a realização das atividades. Um grupo de custodiadas participou de uma aula inaugural a distância que deu início às atividades do Projeto Realize. Em uma das salas localizadas nas dependências do Centro, elas conheceram o curso, conversaram com a equipe de monitoria e foi feito também um primeiro levantamento social das custodiadas.

O juiz titular da Vara de Execução Penal da região metropolitana de Belém, Deomar Barroso, que idealizou o projeto, explicou que o objetivo foi tentar fazer com que a faculdade adentrasse o ambiente do cárcere, que carece do olhar social e assistencial. “Às vezes não temos esse olhar par o cárcere, nos voltamos para a favela, para os problemas sociais, mas não para o preso. Então quisemos que a faculdade tivesse esse olhar diferente, e ela aceitou o desafio e está brilhantemente, dando aulas, trazendo cursos, porque queremos que o preso rompa o círculo vicioso e se conseguirmos que o preso rompa o círculo, a família dele vai mudar, são gerações que estamos mudando com o projeto.”

Segundo Barroso, o projeto é de simples execução e pode ser replicado por outras faculdades interessadas. “Que a universidade entre no ambiente do cárcere com um novo olhar, uma nova perspectiva, para retirar o preso daquele círculo e retirar a família dele. É um projeto em que todo mundo ganha, um projeto agregador, ninguém perde, o professor tem um outro olhar, o empresário terá um outro olhar, ninguém perde. As mais interessadas são as internas. Se salvarmos uma delas, ela tem o histórico recuperado, família recuperada.”

O desembargador José Roberto Maia Bezerra Junior, coordenador do GMF no TJPA, reafirmou que o projeto possibilita um novo olhar para as mulheres detentas. “É um novo começo, e o nome do projeto demonstra muito bem isso, realiza um sonho que se transforma em ação, uma esperança que vira realidade.”

A secretária estadual de cultura, Úrsula Vidal, elogiou a iniciativa e a parceria. “Estamos na continuidade de um processo muito bonito que tem acontecido na Secretaria de Administração Penitenciária e no governo do estado, porque os desafios só são vencidos em parceria. Ver esses projetos, com essa materialidade e esse empenho e possibilidade real de transformação faz com que realmente acreditemos que a jornada humana vale a pena. Entendemos que o cárcere precisa ser esse espaço de ressocialização, de esperança e de renovação dessas vidas.”

O secretário estadual de Administração Penitenciária Jarbas Vasconcelos avaliou que no sistema prisional do estado há uma noção de direitos. “Fazer segurança pública é realizar direitos fundamentais. É com esta compreensão que nós trabalhamos a educação e o trabalho. Este projeto que lançamos nesta data visa trabalhar com a promoção do empreendedorismo. Trabalhar as vocações e inclinações e melhorar os ofícios que as pessoas privadas de liberdade querem ter para que possam ter uma certificação que lhes garanta disputar e produzir no mercado de trabalho.”

Vasconcelos acrescentou que é possível vencer o crime, sobretudo pela reinserção da pessoa privada de liberdade em um espaço próspero para a cidadania. “Esse espaço tem que ser criado dentro das unidades prisionais e fora delas. É um trabalho complexo, que exige a convergência de todas as políticas públicas.”

Para a diretora geral da Faculdade Estácio do Pará, Elaine Grecchi, o projeto é de suma importância, pois proporciona a possibilidade de fazer cumprir a missão de transformar vidas. “Não somente as vidas das custodiadas serão transformadas, mas as nossas vidas, como colaboradores, professores, já começaram a ser transformadas também e as vidas dos nossos alunos, pessoas que às vezes nunca tinham entrado em contato com essa realidade. Para nós é algo completamente novo lidar e enfrentar essa realidade que nós até então não conhecíamos. Isso abre para nós um leque de oportunidade que ainda não tínhamos explorado em nossas atividades educacionais.”

Fonte: TJPA