Pandemia torna essencialidade da Justiça mais evidente, diz Humberto Martins

Você está visualizando atualmente Pandemia torna essencialidade da Justiça mais evidente, diz Humberto Martins
Compartilhe

“A pandemia torna ainda mais evidente o caráter absolutamente essencial da atuação jurisdicional. A tutela dos direitos fundamentais em um contexto de extrema carência é gênero de primeira necessidade, fazendo com que o papel do Poder Judiciário na sociedade cresça mais em importância”. A declaração foi feita pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, durante debate realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil de Alagoas (OAB), na noite de segunda-feira (6/7).

O evento, realizado de forma totalmente on-line, também contou com a participação do presidente da Comissão Nacional da Defesa da República e da Democracia do CFOAB, Nabor Bulhões, e do membro honorário vitalício do CFOAB, Marcus Vinícius Coêlho. O debate teve como tema “A Pandemia e a Defesa do Estado Democrático de Direito” e foi mediado pelo presidente da seccional, Nivaldo Barbosa Júnior.

Em suas palavras, Humberto Martins voltou a destacar que os cidadãos, os órgãos dos outros Poderes da República, a imprensa, enfim, todos se voltam para as decisões proferidas no âmbito dos processos judiciais, e, consequentemente, também para a postura dos magistrados em sua vida pública e privada. Por isso, segundo ele, especialmente nesse contexto de crise, é preciso que as políticas públicas, no âmbito da prestação jurisdicional, sejam orientadas para possibilitar que se possa fazer mais utilizando menos recursos.

“Em tempos como o que vivemos, a Corregedoria Nacional de Justiça tem atuado com transparência, aliada à adoção de procedimentos uniformes e à troca de experiência exitosas. Nossos atos normativos, editados durante à pandemia, garantiram a continuação da atividade extrajudicial brasileira, preservando a vida e a saúde de todos”, afirmou o ministro.

Atos normativos

O corregedor nacional falou sobre todos os atos normativos expedidos pela corregedoria nacional e também os editados pelo Conselho Nacional de Justiça. “Com o início da pandemia, o ministro Dias Toffoli, presidente do CNJ editou três resoluções que dispõem, em linhas gerais, sobre o funcionamento dos serviços judiciários, com o objetivo de prevenir o contágio pela Covid-19, e garantir o acesso à justiça neste período emergencial”, enfatizou o ministro.

E acrescentou: “Os atos normativos da corregedoria nacional objetivaram evitar que a atividade de prestação de serviços extrajudiciais em nosso país fosse paralisada, minimizando os efeitos deletérios que decorrem naturalmente deste período de pandemia, mas, principalmente, visaram a preservar a vida de milhares de delegatários, colaboradores e usuários dos serviços prestados pelos cartórios brasileiros.

Por último, Humberto Martins destacou que qualquer cidadão pode acionar o CNJ por meio de petição eletrônica no PJe ou por requerimento em papel, que pode ser enviado pelos Correios para o Protocolo do CNJ, em Brasília. Na corregedoria nacional, o cidadão pode entrar em contato por meio do Disque Cidadania (61-2326-5555) ou pelo e-mail corregedoria@cnj.jus.br.

Regime constitucional

Nabor Bulhões fez uma avaliação sobre a pandemia, destacando que o mundo vive uma crise humanitária e sanitária assustadora e sem precedentes. Segundo ele, a situação atual trouxe modificações drásticas, que têm colocado à prova os valores republicanos e democráticos e que exigem da sociedade e de dirigentes públicos uma luta permanente para que a Constituição Federal seja cumprida.

Ao elogiar a atuação da OAB e do Poder Judiciário na defesa dos valores constitucionais, Bulhões reconheceu que o regime consensual não é uma característica da democracia e que pluralismos são comuns, e até mesmo necessários, mas que os valores republicanos e democráticos estabelecidos na Carta Magna não podem ser perdidos de vista. “Tenho grande fé no nosso regime constitucional e acredito que devemos proteger a eficácia da nossa Constituição”, afirmou.

O advogado também destacou que essa tem sido a marca do ministro Humberto Martins à frente da corregedoria nacional, e que seu comprometimento com os valores republicanos e democráticos não são reconhecidos apenas de forma retórica, mas que se traduzem em gestos e ações e no notável trabalho que o ministro vem desenvolvendo no órgão correcional do CNJ.

Direitos dos cidadãos

Marcus Vinicius Furtado Coelho citou importantes decisões do Judiciário nesse período de pandemia e que partiram de ações da OAB, como a permanência da vigência da Lei de Acesso à Informação e a confirmação da competência dos entes federativos no enfrentamento da doença.

Furtado Coelho também enfatizou a importância de se cumprir a Constituição, sobretudo no que diz respeito aos direitos sociais, ao direito à saúde e ao direito à educação.

“Para que possamos progredir, para que possamos nos desenvolver como nação, retomarmos o desenvolvimento econômico com a preservação dos empregos dos brasileiros, temos que contar com um Poder Judiciário que esteja preparado para esse momento. Um Judiciário que estimule a conciliação e a mediação e que, assegurando os direitos fundamentais, continue a fazer a jurisdição, como tem feito com muita eficiência efetividade “, destacou.

A íntegra do debate pode ser acessada no canal da OAB-AL no YouTube.

Corregedoria Nacional de Justiça