Portuguese PT English EN Spanish ES
. . . . . .
Aplicativo da Justiça gaúcha possibilita adoção de três irmãos em Pelotas (RS)
Aplicativo da Justiça gaúcha possibilita adoção de três irmãos em Pelotas (RS)
Foto: TJRS

Um evento para marcar a vida de uma família que deixou o amor surpreender. Ocorreu na última segunda-feira (14/12) a audiência de adoção de três irmãos, iniciada pelo aplicativo Adoção, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). As crianças estavam há cerca de um ano no cadastro do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), sem que tivessem sido localizados pretendentes para a sua adoção conjunta.

Conforme a juíza Alessandra Couto de Oliveira, do Juizado Regional da Infância e Juventude da comarca de Pelotas (RS), em função da demora na localização de futuros pais, outras possibilidades já estavam sendo cogitadas. “Nós já estávamos cogitando partir para adoção internacional quando, em maio deste ano, fomos comunicados que um casal havia conhecido os irmãos pelo app Adoção, e manifestado interesse em conhecê-los.”

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a fase de aproximação entre o casal Adriana e Lucinei e as crianças iniciou de forma virtual, com troca de fotos, vídeos e videochamadas. Eles já haviam manifestado interesse, por meio do aplicativo, em outras crianças, mas não obtiveram sucesso. Adriana lembra que afirmava para Luicinei que “Deus sempre guarda o que é nosso”.

Mas, em maio deste ano, ocorreu a grata surpresa. “No dia 26 de maio, uma terça-feira, dia de Nossa Senhora de Caravágio – uma santa protetora aqui da nossa região – apareceram os três irmãos. A princípio, nosso interesse era de uma criança até 5 anos. Depois, passamos para duas, para ver se agilizava pois estávamos há dois anos na fila de espera da adoção. Quando vimos os três, ficamos apaixonados: o vídeo, os dizeres… Lembro do Marciel [uma das crianças] falando ‘eu quero uma família’. E eu disse pro meu marido: quem cria dois, cria três”, lembra Adriana.

A mãe ressaltou que, dias depois, a servidora do Foro de Pelotas já entrou em contato com a família. “No sábado, estávamos reunidos com meus pais e meu irmão. A assistente social ligou e conversou por uma hora conosco. No final da ligação, eu já senti aquilo. Cheguei aos meus pais, irmão e sobrinhos e disse, mostrando a foto deles: aqui estão nossos filhos! Foi um choro só, todo mundo se emocionou. E devido à pandemia, tudo foi por videochamada, nossos encontros, como nos conhecemos um pouco. No dia 10 de julho, fomos conhecê-los pessoalmente e até hoje é muito amor e aprendizado mútuo.”

Adriana e Lucinei obtiveram a guarda provisória das crianças em 15 de julho. E, na segunda-feira passada (14/12), saiu a sentença de adoção, em audiência realizada de forma virtual. As crianças se chamam Carolina (10 anos), Mônica (7 anos) e Marciel (5 anos). O casal já tinha outro filho, Enzo.

“Poder resolver estes assuntos de forma rápida com videochamada e na comodidade de nossa casa. É perfeito! Estávamos em nosso lar, nós seis. E quando a juíza disse ‘agora é para sempre! Vocês são uma família para sempre!’, uma emoção muito grande tomou conta de todos. Mônica pulou no meu colo e disse ‘agora sim é para sempre mãe!’. Marciel até hoje fica dizendo agora nossa família para sempre! Nossa família linda para sempre!”, celebra de forma efusiva Adriana.

A magistrada Alessandra Couto destacou sua satisfação em poder colaborar com o casal. “Foi um caso que nos deixou muito felizes, pois durante um ano não conseguíamos encontrar pretendentes. E, durante a pandemia, quando tudo parecia mais difícil, graças ao app Adoção foi possível que essa família se encontrasse.”

Ela também relata a felicidades de todos os envolvidos no momento da audiência. “A alegria deles já era perceptível na audiência de guarda provisória, e, hoje, na audiência de adoção, foi muito emocionante. É lindo ver uma família se formar. Nesse caso, devido às dificuldades, durante uma pandemia, foi ainda mais significativo.”

“Quando foram lidos os nomes deles com nosso sobrenome, até me arrepiei. Tenho certeza que no dia em que pegarmos as novas certidões vamos chorar muito e nos emocionar. Aqui tudo é comemorado, desde que nos tornamos uma grande família”, conta Adriana.

O casal agradeceu o apoio e o empenho dos servidores e da magistrada do Foro de Pelotas. “Eu quero deixar registrado que todo trabalho do Foro de Pelotas em nosso processo foi maravilhoso. Nos ajudaram muito. Por meio de WhatsApp, sanávamos dúvidas… Tanto o psicólogo Eduardo como a assistente Carol, eles foram maravilhosos.”

Aplicativo Adoção

O app é resultado de uma longa caminhada. Em 2016, o TJRS lançou a campanha “Deixa o amor te surpreender”, voltada para adoções de difícil colocação – crianças com mais de sete anos, grupos de irmãos e jovens com deficiência. Até então, eram disponibilizados apenas dados básicos, como as iniciais do nome, idade, sexo, raça, se tinham irmãos ou alguma doença.

O aplicativo humanizou a busca pela adoção, uma vez que proporciona aos futuros pais que vejam vídeos e fotos das crianças e dos adolescentes. O protótipo foi inicialmente desenvolvido por alunos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e depois aprimorado pelo Tribunal de Justiça, que realizou ajuste e integração da ferramenta. O Ministério Público também participou da concepção do projeto e é responsável pela fiscalização dos cadastros.

A plataforma conta com o perfil ativo de crianças e jovens que estão habilitados na fila de adoção no Rio Grande do Sul. E pretendentes de todo o país podem baixar o app. A solução tecnológica ainda proporciona um importante salto na flexibilização da idade desejada pelos pretendentes, cuja média passou de 8 para 14 anos.

O desafio inicial da campanha institucional lançada pelo TJRS era justamente o de mudar esse perfil. Os grupos de irmãos também ganharam uma chance, o projeto obteve um aumento no interesse nesse perfil.

O App Adoção está disponível para Android e iOS (nas lojas do Google Play e da Apple Store). O público em geral também pode baixar o App, mas só tem acesso a informações básicas sobre adoção, sem identificação dos jovens cadastrados no aplicativo.

Fonte: TJRS

A
Fechar Menu