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Soluções tecnológicas vão contribuir para detecção de riscos à saúde mental no Judiciário
Soluções tecnológicas vão contribuir para detecção de riscos à saúde mental no Judiciário
Foto: Arquivo

O “ServBem”, o “Plataforma CARE” e o “Plataforma Lize” foram os três projetos vencedores  do Desafio de Inovação “Detecção de Riscos à Saúde Mental no Trabalho”. As equipes finalistas apresentaram soluções tecnológicas que permitem identificar potenciais casos de adoecimento mental de servidores públicos. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Segundo a conselheira Flavia Pessoa, que coordena o Comitê Gestor Nacional de Atenção Integral à Saúde dos Magistrados e Servidores, as soluções apresentadas serão ferramentas importantes com as quais será possível identificar situações de assédio, pressão, fadiga e estresse que levem a transtornos mentais, como burnouts, depressão e ansiedade. “A iniciativa é importante porque o CNJ detectou, por meio de pesquisa encomendada pelo comitê e realizada pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias, que tem ocorrido incremento do adoecimento mental dos trabalhadores do Poder Judiciário, razão pela qual urge a adoção de medidas concretas para o enfrentamento de tal situação”, disse.

Confira aqui o Diagnóstico sobre a saúde mental dos magistrados e servidores no contexto da pandemia da Covid-19

A “ServBem”, que ficou em primeiro lugar, aposta numa plataforma integrada e multinível desenvolvida por servidores públicos para a identificação, mensuração e monitoramento de riscos à saúde mental.  A solução considera o tema de forma abrangente ao contemplar três dimensões: profissional, pessoal e social; além de dois níveis de análise, macro e micro. A solução se vale de dados e adota uma abordagem leve que procura atenuar o tabu das doenças mentais e proteger a privacidade das pessoas. O processo de desenvolvimento da solução foi inspirado na abordagem de design thinking

A segunda colocada, “Plataforma CARE” oferece acesso remoto a recursos de saúde mental baseada em evidências e escalável. A estratégia proposta é ampla e inovadora, pois envolve os seguintes tópicos: cuidado, apoio, rastreio e enfrentamento dos fatores psicossociais do trabalho e do estresse. Além disso, por meio do chatbot é possível identificar e estratificar o risco populacional quanto aos fatores psicossociais do trabalho e estresse, favorecer a busca de ajuda precoce, aumentar o conhecimento e reduzir o estigma relativo à saúde mental. Pela solução, a partir dos dados obtidos, os gestores podem implementar estratégias assertivas, orientadas para necessidades dos servidores.

Já a terceira colocada, “Plataforma Lize”, desenvolveu um assistente virtual com recursos de inteligência artificial que promove engajamento com as pessoas avaliadas para obter respostas sobre os reais fatores psicossociais e organizacionais e cruza com informações embasadas e validadas cientificamente, supervisionada por profissionais de saúde mental.

Inovação na coleta de dados

A ideia é que as soluções possibilitem modos inovadores de coleta de dados relativos ao ambiente de trabalho e saúde mental dos servidores e magistrados e armazená-los de forma centralizada e sistematizada para facilitar a identificação de casos com maior risco de adoecimento mental.  Além disso, as iniciativas devem assegurar o sigilo dos dados, bem como o anonimato dos usuários, com acesso restrito apenas às autoridades competentes para lidar com tais informações como, por exemplo, departamentos de gestão de pessoas.

Ao todo, foram apresentadas 21 propostas feitas por participantes que vieram de empresas, entidades privadas sem fins lucrativos, instituições de pesquisa científica e tecnológica públicas e privadas, entre outros.  As três iniciativas vencedoras serão premiadas com valores de R$ 50 mil (1º colocado), R$ 30 mil (2º colocado) e R$ 20 mil (3º colocado).

Pesquisa

A diretora-executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ, Gabriela Moreira de Azevedo Soares, explica que a iniciativa é oportuna tento em vista o atual contexto sanitário e se enquadra na Resolução CNJ nº 207/2015, que instituiu a Política de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores do Poder Judiciário. “As doenças que acometem a saúde mental dos servidores e magistrados, como estresse e depressão, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. E isso se acentuou nesta pandemia. É um tema que nós temos de tratar com o máximo de cuidado e atenção, dando prioridade. Acredito que as soluções vão colaborar para diminuirmos o nível de absenteísmo e ter um corpo funcional mais saudável”, disse.

Pesquisa realizada pelo CNJ em junho deste ano com 46.788 servidores e magistrados evidenciou um cenário preocupante no que diz respeito à saúde mental. Entre os respondentes, 50% declararam que o medo é o sentimento que mais os aflige. Outros sentimentos frequentes, comuns em mais de 30% dos participantes, são: desânimo (36%), gratidão (33%) e vontade de ajudar (32%). Além disso, 47,8% declararam se sentir mais cansados do que antes da quarentena; 42,3% tiveram piora no humor e 48% tiveram alteração na rotina do sono. Mais de 32% afirmaram só possuir sentimos negativos durante a pandemia. O levantamento reforçou o alerta – anteriormente dado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) –, de que os últimos meses agravaram os casos de ansiedade e de depressão, que já estariam altos no Brasil.

Afastamentos

O mundo laboral está em constante mudança, inclusive no Poder Judiciário. Por isso, manter um ambiente organizacional saudável e adequado é uma estratégia importante para prevenir e combater as doenças ocupacionais vinculadas à saúde mental.

Nos últimos sete anos, 15 mil servidores federais foram afastados por transtornos mentais. Isso impacta os níveis de produtividade dos servidores, suas equipes e o serviço público como um todo, além de gerar custosas demandas judiciais – que vêm aumentando nos últimos anos.

Além disso, o estudo Mental Health in the Workplace, divulgado em 2019 pela OMS, afirma que, para cada US$ 1 investido em ações que promovem melhorias na saúde e bem-estar mental dos colaboradores, US$ 4 são percebidos em ganhos com o aumento da produtividade.

Alex Rodrigues
Agência CNJ de Notícias

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