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SP: Patrimônio das bibliotecas é debatido em núcleo de estudos em memória
SP: Patrimônio das bibliotecas é debatido em núcleo de estudos em memória
Foto: EPM/TJSP

O tema “Bibliotecas: diálogos entre patrimônio bibliográfico e difusão digital” foi discutido, na última sexta-feira (9/4), pelo Núcleo de Estudos em História e Memória da Escola Paulista de Magistratura, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O encontro contou com apresentações dos professores Holger Knudsen, da Universidade de Leipzig (Alemanha), Fabiano Cataldo de Azevedo, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Aquiles Alencar Brayner, da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

O juiz Carlos Alexandre Böttcher, um dos coordenadores do núcleo de estudos, lembrou que a biblioteca do TJSP foi fundada em 1915 e possui mais de 260 mil exemplares, dos quais 4,2 mil são considerados obras raras, destacando-se uma edição do Código de Justiniano de 1585. “É considerada a segunda biblioteca jurídica mais importante do Brasil.”

Holger Knudsen fez um comparativo entre as bibliotecas tradicionais e as digitais, recordando que a localização, número limitado de exemplares e necessidade de recursos financeiros para visitá-las representavam dificuldades para acesso aos livros. E observou que, nas bibliotecas digitais, muitas dessas questões foram superadas, ampliando o alcance do público aos acervos, o que se tornou mais relevante com a pandemia e o isolamento social.

Ele ponderou que a digitalização, sobretudo de obras em domínio público, deve ser o caminho, destacando que atualmente já existem muitas bibliotecas com acervo misto. “O futuro próximo pertence aos bancos de dados”, afirmou. Mas Knudsen salientou que muitos livros possuem direitos autorais e, mencionando a Europa como exemplo, esclareceu que uma obra pertencente ao acervo de uma biblioteca só pode ser digitalizada se o titular dos direitos autorais for indenizado – o que também vale para cópias de segurança.

Fabiano Cataldo de Azevedo explicou que as coleções das bibliotecas são registros de memórias documentais “que auxiliam na formação da memória e de uma identidade documental que tem como condição e qualidade intrínseca de servir para o futuro”. Ele destacou que a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, tanto a individual como a coletiva, enfatizando que a sua base é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades.

Aquiles Brayner apresentou os desafios das instituições de memória na era digital, entre eles a integração de distintos formatos eletrônicos e a criação de ferramentas que facilitem o acesso e análise de conteúdos digitais; a promoção do acervo entre diferentes tipos de usuários; e a seleção, captura, descrição e preservação de objetos digitais, oferecendo novos sistemas de busca e plataformas de reuso destes objetos.

Ele lembrou que, diferentemente das bibliotecas tradicionais, onde são utilizadas fichas catalográficas, no mundo digital se trabalha com dados bibliográficos, estruturados de maneira a serem utilizados por algoritmos. Ponderou que muitas vezes o usuário não encontra o que busca, por usar termos diversos dos utilizados nos dados bibliográficos. Nesse sentido, mencionou a folksonomia, que se refere à busca que utiliza termos coloquiais, inerentes à linguagem dos usuários e lembrou que em outros meios digitais o uso de tags foi de grande ajuda, porque tudo o que for publicado com a mesma marcação estará reunido em um só lugar.

Fonte: EPM/TJSP

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