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Protocolo evita preconceitos contra mulheres em julgamentos
Protocolo evita preconceitos contra mulheres em julgamentos
Ex-conselheira Ivana Farina participa de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero. Foto: CNJ

O Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi apresentado, na última quinta-feira (16/12), em audiência pública na Câmara dos Deputados. O documento orienta magistrados e magistrados para evitar que preconceitos e discriminações contra mulheres ocorram durante julgamentos.

“No Judiciário, onde a mulher busca a reparação de um mal que lhe foi causado, nos deparamos com a repetição de estereótipos que buscam a justificação do ato de violência”, afirmou a ex-conselheira do CNJ e coordenadora do grupo de trabalho que elaborou o documento, procuradora de Justiça Ivana Farina Navarrete Pena. “Temos consequências de uma cultura machista, patriarcal, opressora. Nessa cultura, a noção prevalecente é a de superioridade para o masculino e inferioridade para o gênero feminino.”

O texto, segundo Ivana Farina, foi inspirado no protocolo de julgamento com perspectiva de gênero elaborado pelo México, país condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) por violação de direitos das mulheres vítimas de violência a partir de erros cometidos na Justiça. Ela destacou como um avanço recente no país a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que “aboliu a possibilidade de arguição da legítima defesa da honra e a favor daqueles que são os violadores da integridade física de uma mulher”.

A promotora de Justiça ainda ressaltou o peso da interseccionalidade na graduação dos preconceitos. “Como se dá isso para uma mulher? E se ela for negra? E se ela, além de negra, for trans? Terá as mesmas oportunidades? Haverá oportunidade de trabalho para ela? Isso é um ponto que um juiz do trabalho precisa, por exemplo, ter em mente.”

Disseminação

Enfermeira de formação, a deputada federal Carmen Zanotto afirmou que o protocolo também pode ser utilizado nas estruturas públicas de saúde. “Não aprendi como aluna, não ensinei como professora e tomara Deus que eu nunca tenha praticado como enfermeira ou gestora violência obstétrica contra mulheres negras. Está comprovado por trabalhos científicos que nós, profissionais da saúde, dedicamos menos tempo na assistência ao parto às mulheres negras e o índice de óbitos obstétricos desse grupo é maior que o de mulheres brancas.”

A parlamentar ainda sugeriu que o Protocolo seja encaminhado às universidades, para que possa alertar os futuros profissionais e evitar as contínuas ações discriminatórias naturalizadas em nossa cultura.  “Nós todos precisamos ampliar o nosso olhar nessa perspectiva. E não se trata de pedir mais para a mulher, mas apenas o mesmo olhar, o mesmo direito. Esse protocolo pode ser reproduzido em todas as esferas – Executivo, Legislativo, Segurança Pública, Saúde, Educação, Academia – e em todos os espaços.”

O Protocolo traz conceitos, apresentação de casos e um passo a passo para qualificar a atuação de profissionais do Direito em julgamentos. O material conta com um guia abarcando diferentes momentos do processo, como a fase da instrução e produção de provas até o momento de se proferir a sentença, sinalizando pontos que devem ser observados a fim de reduzir a desigualdade no Judiciário.

Entre os pontos apresentados no Protocolo, estão perguntas ainda frequentemente feitas às vítimas e que desqualificam, revitimizam ou até expõem a intimidade da mulher. O documento trata ainda das questões de gênero em diversas modalidades do Direito – como Penal, da Família, da Infância e Juventude – em todos os segmentos da Justiça.

Regina Bandeira
Agência CNJ de Notícias

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