Presidente do CNJ fala sobre valores e futuro a estudantes do ensino médio em Curitiba

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Palestra para alunos do Ensino Médio no Colégio Estadual do Paraná. - Presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Luís Roberto Barroso - Foto: Rômulo Serpa/Ag.CNJ
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Para uma vida completa, de sucesso e que encontre a felicidade, é preciso identificar o que se quer fazer, treinar e buscar o conhecimento de si mesmo e do mundo atual. Unindo isso a valores como a integridade, a bondade e o idealismo, é possível ter resultados melhores para a vida. Esses foram alguns dos ensinamentos dados pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, às turmas de 3.º ano do ensino médio do Colégio Estadual do Paraná. A palestra, realizada nesta sexta-feira (1.º/3), também orientou como como os estudantes podem fazer a diferença no Brasil e no mundo.

O ministro compartilhou com os estudantes um pouco de trajetória pessoal: como saiu da cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, e foi morar na capital com a família. Naquele tempo, o ministro disse que pensou em ser jogador de futebol, de vôlei, compositor musical e até mesmo ir para o campo da matemática, mas conseguiu identificar que não eram caminhos que ele deveria seguir.

“É preciso se conhecer, buscar seus pontos fortes e fracos, para identificar o que realmente viemos fazer nesta vida”, afirmou Barroso. Ele disse aos alunos e alunas que o sucesso na vida é resultado de vencer diversos desafios até se chegar onde pretende. Ainda assim, ele ressaltou, “nem sempre alcançamos o que queremos.” “É preciso ter empatia ao conhecer alguém que não conseguiu chegar ao sucesso ainda. Isso quer dizer que essa pessoa ainda está lutando batalhas e tentando vencer”, enfatizou.

Outra dica do ministro é de que todas as pessoas devem querer progredir e ser o melhor que puderem ser. “Não se contentem em ser ‘mais ou menos’. Sejam a melhor versão que puderem ser. Não é uma questão de competição, de serem melhores do que os outros, mas de fazer o melhor que puderem, de forma bem feita”, disse Barroso.

O ministro disse ainda que nenhuma vida completa é feita só de vitórias. “Tem muita alegria depois da vitória, mas também tem muita vida depois da derrota”. Ele contou que, em 2013, quando estava se preparando para diminuir o ritmo e se dedicar mais “à poesia”, foi reconhecido como um advogado de sucesso e indicado ao STF, onde está há 10 anos. “Eu vivo em dias de contentamento, de fazer o melhor e viver bem os meus dias. Contentamento é uma atitude, que não é determinada por situações externas”, afirmou.

Atualidades

Para o ministro Barroso, é preciso que os jovens tenham conhecimento, leiam, informem-se, acompanhem as notícias. “Vocês devem saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo. Devem saber escolher lados quando precisar e compreender o mundo. Nunca devemos formar uma opinião sem ouvir os dois lados. Investir no próprio conhecimento fará diferença para todos”, destacou.

Nesse sentido, ele destacou questões como a democracia, o desenvolvimento tecnológico e as mudanças climáticas como temas fundamentais para entender o momento global atual, além das questões das crescentes guerras. Para o ministro, esses são assuntos que vão reverberar para o futuro das próximas gerações. “Parte da preocupação de vocês estará nessas questões. Tem muito negacionismo e adiamento de soluções globais”, destacou.

Ministro Luís Roberto Barroso com alunos do Colégio Estadual do Paraná – Foto: Rômulo Serpa/Ag.CNJ

Mesmo com as incertezas sobre esse futuro – com os avanços, mas também os riscos da Inteligência Artificial, o aquecimento global e às ameaças à democracia –, o ministro afirmou sua confiança na era dos direitos humanos. “A história é uma marcha no avanço do bem e do desenvolvimento humano. Não importa o que acontece à sua volta: faça você o melhor papel que puder e seja bom e correto, mesmo quando ninguém estiver olhando”, aconselhou.

A mensagem do ministro foi bem recebida pelos alunos, como Arthur Cavalari, que achou importante Barroso destacar a empatia. “Sem isso, não temos democracia”, afirmou o aluno do 3.º ano, que também é o mais novo candidato a vereador no estado, concorrendo nas próximas eleições municipais, em outubro.

Ministro Barroso com o estudante Arthur Cavalari: “Precisamos da empatia para ter igualdade social”, diz o jovem – Foto: Rômulo Serpa/Ag. CNJ

“Terei 18 anos quando assumir o cargo”, afirmou. “Precisamos da empatia para ter igualdade social”. Para Maria Eduarda Matsumoto, de 16 anos, “foi muito interessante conhecer as experiências pessoais do ministro”.

Cultura

Durante a visita do ministro Barroso à Escola Estadual do Paraná, ele conheceu as instalações do Planetário e do complexo de Astronomia do colégio e esteve em uma pequena amostra de artes. O presidente do CNJ ouviu a apresentação musical da aluna Mariana Basso – que se apresenta como Ana Lary – e apresentou as canções “The man I love”, de Gershwin; e “I dreamed a dream”, de Les Miserables de Claude Michael Schoenberg. A artista acaba de passar no vestibular para a Faculdade de Belas Artes e é aluna do programa de Artes e Música do colégio desde 2021.

O grupo DanceP apresentou ao ministro trecho do espetáculo “A gente se acostuma, mas não devia” – Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Também foi apresentado o terceiro ato do espetáculo “A gente se acostuma, mas não deveria”, adaptado do texto de Mariana Colasanti. O espetáculo, que já foi premiado internacionalmente, reuniu 30 alunos e alunas de várias séries. O DanceP é um grupo de dança contemporânea que atende, além dos estudantes, à comunidade. São cerca de 800 participantes no total.

Para a professora de música Daniele Franco, a educação pública pode e deve ser igualitária. “Este colégio é uma escola modelo no Paraná, cuja atuação pode ser replicada em outras instituições de ensino”.

Texto: Lenir Camimura
Edição: Sarah Barros
Agência CNJ de Notícias

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