Juiz afirma que ameaças são principal tipo de violência contra mulheres

  • Categoria do post:Notícias CNJ
Compartilhe

Ameaças, inclusive de morte, são o principal tipo de violência doméstica contra a mulher e o principal motivo é o inconformismo do homem com o fim do relacionamento. A constatação é do juiz Nelson Melo de Moraes Rêgo, titular da Vara Especial da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Maranhão. Nesta quarta-feira (25/4), ele apresentou, durante a 6ª Jornada Maria da Penha promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o resultado da pesquisa “Violência doméstica contra a mulher: dados estatísticos da Vara Especializada da Comarca de São Luís”.

As lesões corporais, segundo ele, ocupam o segundo lugar entre os tipos de violência contra a mulher. Isso em termos nacionais. A pesquisa na vara de São Luís (MA), com base em 512 medidas protetivas, verificou diversos dados dos agressores e das agredidas, como faixa etária, escolaridade, profissão e faixa de renda.

O grupo de mulheres com idade entre 26 e 34 anos de idade representa 36% das agredidas. A faixa entre 35 e 43 anos corresponde a 28% dos casos verificados. Entre 18 e 25 anos estão 19% das vítimas. De acordo com Nelson Melo de Moraes Rêgo, uma das dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores foi a escassez de informações. Somente 22% dos processos informavam o grau de escolaridades das vítimas (8% ensino médio, 3% ensino fundamental incompleto e 4% ensino superior completo). Na maioria dos casos, de acordo com a pesquisa, os filhos também são vítimas da violência (só 14% das mulheres agredidas não têm filhos).

Agressor – Os homens que agridem as mulheres têm entre 35 e 43 anos (31%) predominantemente. A faixa entre 44 e 52 anos corresponde a 16%, seguida pelos com idade entre 18 e 25 anos (13%). Pedreiros, autônomos, auxiliares de pedreiro, motorista, mecânico e vigilante são os profissionais que mais agridem as mulheres, revela a pesquisa.

Mas o juiz Nelson Melo de Moraes Rêgo afirma que a violência doméstica acontece em todas as classes sociais e meios profissionais. Médicos, advogados, empresários e até juiz de direito já figuraram na relação de agressores em São Luís. Segundo ele, o juiz não chegou a ser processado. Normalmente, as pessoas de maior renda aparecem menos nas estatísticas, porque têm vergonha de denunciar. Entretanto, ele ressalta que o desemprego é um importante fator de violência doméstica.

Gilson Luiz Euzébio
Agência CNJ de Notícias