Violência doméstica: Comitê no RN promove webinário sobre campanha Sinal Vermelho

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Arte: CNJ
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No Dia Internacional da Igualdade Feminina, comemorado na quarta-feira (26/8), os membros do Comitê Feminina (Comitê de Valorização Feminina no Poder Judiciário do RN) se reuniram com servidores, magistrados e agentes sociais para dialogar sobre a violência contra a mulher e a campanha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Sinal Vermelho.

A conselheira do CNJ Maria Cristiana Ziouva e a desembargadora Maria Zeneide Bezerra, que preside o Comitê Feminina, foram as palestrantes principais. As falas foram mediadas pela jornalista Andreia Ramos, secretária de Comunicação Social do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN).

Maria Cristiana Ziouva iniciou sua fala ressaltando que “temos o mesmo ideal de trabalho, a mesma luta em defesa dessas mulheres que vivem essa realidade da violência doméstica”. “Essa campanha foi idealizada por duas juízas, Renata Gil, presidente da Associação de Magistrados Brasileiros, e Maria Domitila Prado, juíza criminal de São Paulo, porque elas perceberam o aumento assustador de violência e feminicídio no período de isolamento social”, explicou a magistrada.

Ela apontou que no Rio de Janeiro, nos primeiros 20 dias de isolamento social, houve um aumento de 50% nas denúncias e, no Acre, o aumento chegou a 300%. Segundo a conselheira, existem muitas campanhas parecidas em outros lugares do mundo, como na Índia, Espanha e França. “A diferença é que a nossa tem âmbito nacional, é a mesma campanha com o mesmo protocolo para todos os estados e também tem todos os poderes do estado envolvidos.”

“Nossa ideia é justamente trazer esse tema para a discussão, nós precisamos pelo menos conversar a respeito, por que antes sequer fazíamos isso. Até alguns anos atrás dizíamos que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’, o que não pode ser verdade”, disse a conselheira, acrescentando que é preciso também trazer algo que efetivamente pudesse ajudar essas mulheres e esse é o intuito da campanha.

A juíza Fátima Soares reiterou que mulheres em situação de violência são uma realidade, “em tempos de isolamento elas encontram ainda mais dificuldade para realizar a denúncia. Essa iniciativa do Sinal Vermelho e o Comitê abraçam essa causa”. Durante a videoconferência, foi apresentado um vídeo realizado pelas cordelistas do Movimento Cordel das Rosas, sobre a campanha.

Sinal Vermelho

A campanha consiste em incentivar mulheres a denunciar a violência doméstica e familiar através de um X vermelho em sua mão, em farmácias. O foco da campanha são mulheres em situação de violência, que não têm acesso aos meios digitais para realizar a denúncia. A ideia é que o funcionário da farmácia, preparado para a situação, acione a Polícia.

“A prioridade era a celeridade no acolhimento dessas mulheres, foi um trabalho árduo que valeu a pena, pois estamos colhendo resultados positivos. Na realidade o bom seria é que não houvesse necessidade desse tipo de campanha, tantas mulheres sendo agredidas ainda hoje”, explicou a conselheira.

Ainda segundo Maria Cristiana Ziouva, a farmácia foi escolhida por que é menor, mais acolhedora. “A gente vai lá buscar algo para a saúde e numa situação como essa, a mulher está muito fragilizada, nós pensamos nas farmácias com esse intuito e para a nossa alegria, quando levamos isso para as associações tivemos uma acolhida grande.”

Comitê

Sobre o Feminina, a desembargadora Zeneide Bezerra explicou que “instalamos o comitê e fomos em várias comarcas, ouvimos as mulheres e foi feita uma pesquisa bastante positiva. O TJRN está dando feedback a todas elas sobre o que elas disseram, ouvimos depoimentos fantásticos e maravilhosos de servidoras, magistradas, terceirizadas e estagiárias”.

Fonte: TJRN