O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) reafirma o compromisso com a proteção e a memória das mulheres vítimas de violência ao instalar, na última quinta-feira (11/12), o Banco Vermelho em sua sede, na entrada da Rua 10, no Setor Oeste, em Goiânia. A iniciativa, que simboliza o enfrentamento ao feminicídio e a promoção da igualdade de gênero, também foi levada ao município de Minaçu, ampliando o alcance da mensagem do Judiciário goiano.
A desembargadora Alice Teles de Oliveira, titular da Coordenadoria da Mulher do TJGO, destacou o caráter simbólico e transformador da iniciativa. “A instalação temporária do Banco Vermelho nas dependências do Tribunal de Justiça de Goiás reforça nosso compromisso permanente com a conscientização e o enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa, promovida pela SEDS [Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social], é um símbolo poderoso de memória, respeito e mobilização social. Recebemos o Banco Vermelho com total apoio da Coordenadoria da Mulher do TJGO, certos de que ações educativas como essa fortalecem a cultura de paz e a promoção dos direitos humanos”, enfatizou a magistrada, que visitou o local da instalação do Banco junto com a servidora do TJGO, Luciene Camargo, esposa do presidente do tribunal, desembargador Leandro Crispim. A juíza auxiliar da Presidência, Lidia de Assis e Souza, também acompanhou a ação.
A atividade ganha ainda mais relevância diante dos números registrados no Brasil. Entre janeiro e setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio, enquanto 1.075 foram assassinadas em razão da violência extrema motivada por gênero, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Instalação em Minaçu
O Banco Vermelho também foi inaugurado na comarca de Minaçu. O equipamento foi construído por detentos da unidade prisional local, iniciativa que fortalece a ressocialização por meio do trabalho e reafirma o compromisso social do sistema penal com a promoção de direitos fundamentais.
Participaram da inauguração: a diretora do foro da comarca de Minaçu, a juíza Isabella Bittencourt; o prefeito de Minaçu, Carlos Lereia, com a primeira-dama Marla da Cunha; a presidente da Câmara Municipal, vereadora Gilvania Márcia Barbosa; a presidente da subseção da OAB de Minaçu, Shirley Araújo; a representante das mulheres negras de Minaçu, Marlene Aparecida Gonçalves; o capitão Farias, da Patrulha Maria da Penha do município; e a vice-presidente do Conselho da Comunidade de Minaçu, Fabiana da Silva Santos Souza.
Mulheres Protegidas
Coordenadora do Programa Mulheres Protegidas, a juíza Isabella Bittencourt ressaltou que o Banco Vermelho simboliza uma rede unida em prol das vítimas. Para ela, o impacto da iniciativa nasce da cooperação entre instituições públicas e privadas que atuam no atendimento às mulheres em situação de violência. “Minaçu é vanguardista. Este Banco Vermelho foi construído pelos próprios detentos como parte do processo de ressocialização. Isso o torna ainda mais simbólico e poderoso”, destacou a magistrada.
A primeira-dama, Marla da Cunha, reforçou que o monumento atua como alerta e convite à reflexão: “Que este banco sirva para fazer aqueles que agridem mulheres repensarem suas ações e abandonarem esse ato repugnante”.
A presidente da Câmara, Gilvania Barbosa, ressaltou a força do símbolo: “O Banco Vermelho representa o sangue das mulheres vítimas de feminicídio, tudo o que lhes foi arrancado. É um presente para a cidade, mas sobretudo um alerta urgente contra esse crime brutal”.
