O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) deu início à formação de mais uma turma do Curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Fruto da parceria entre a Secretaria-Geral de Sustentabilidade e Responsabilidade Social (SGSUS) e a Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (Vepema), a iniciativa é voltada a réus em regime semiaberto atendidos pela Vepema, que terão as horas de estudo descontadas de sua pena ao concluir o curso.
A turma é coordenada pela professora Juliana Teixeira, que, na primeira aula, apresentou a origem da Libras e ensinou o alfabeto e os números aos alunos, que aprenderam a expressar seus nomes na língua. Para a professora, ensinar Libras para esse público oferece diversas possibilidades. “Para eles, é uma redução de pena. Para nós, é uma divulgação da língua, da comunidade. E os alunos também podem ter a chance de encontrar uma nova capacitação profissional como intérpretes”, explica.
Juliana teve a companhia de Eremis Vitorino, auxiliar de serviços gerais do TJRJ com deficiência auditiva, que tirou dúvidas dos alunos sobre a comunicação em Libras no dia a dia. Ele aprendeu a língua aos 16 anos e, ao contar sua história para a turma, relembrou as dificuldades que tinha para se comunicar mesmo em casa. “Para minha família, a comunicação era mais difícil. Isso me deixava triste. A pessoa surda se sente isolada, e é importante não ter esse isolamento. Hoje em dia, você vê que a comunidade tem mais facilidade para se comunicar. É muito melhor”, avalia.
Um dos alunos, A., é professor e já deu aula para alunos com surdez que acompanhavam o conteúdo pela leitura labial. Para ele, a Libras segue pouco vista por quem não precisa dela. “Acho muito enriquecedor, toda aprendizagem é bem-vinda e eu pretendo fazer mais cursos como esse. Eu conhecia pouco dessa língua, via apenas pela televisão, mas achei interessante e considero muito importante o papel dos intérpretes”, afirma.
Fonte: TJRJ
