Considerando a etapa inicial de implementação da Resolução CNJ n. 593/2024, recomenda-se a aplicação rotativa dos formulários. O objetivo é priorizar aqueles ainda não utilizados no respectivo estabelecimento de privação de liberdade nos 5 primeiros meses de implementação da nova metodologia, portanto até o mês de janeiro de 2026 (incluindo excepcionalmente o mês de dezembro de 2025).

A escolha pelos formulários temáticos a cada mês deve observar a realidade de cada estabelecimento penal. Essa orientação permite que, ao longo do período inicial, cada corregedor(a) percorra todos os eixos temáticos, familiarizando-se com os parâmetros e com a lógica de organização das inspeções.

Após esse ciclo inicial de 5 meses, aplica-se normalmente a metodologia de calendarização prevista no Manual da Resolução 593/2024 (junho e dezembro com o formulário de Aspectos Gerais). A função de autopreenchimento dos formulários será disponibilizada após esse período, permitindo o reaproveitamento automático das informações já registradas.

Inspeções judiciais nos estabelecimentos de privação de liberdade (Resolução CNJ n. 593/2024)

A realização de inspeções judiciais mensais nos estabelecimentos de privação de liberdade é prevista pelo artigo 66, inciso VII, da Lei de Execução Penal (1984) e segue metodologia atualizada pela Resolução CNJ n. 593/2024. Essa resolução substitui a antiga Resolução CNJ n. 47/2007, trazendo diretrizes mais objetivas sobre os aspectos que juízes e juízas de execução penal devem observar e registrar durante as inspeções. Ela também se alinha a avanços recentes na execução penal, como a criação do Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (Lei n. 12.847/2013).

Entre as inovações da nova metodologia estão: 

  • Inspeções temáticas, que direcionam a análise a questões específicas, como saúde, habitabilidade, segurança ou serviços. 
  • Instrumentos próprios para registrar casos de tortura, maus-tratos e morte. 
  • Garantia de que todas as dimensões do encarceramento sejam abordadas de forma aprofundada ao longo do ano. 

A metodologia detalhada está disponível em um manual composto por três volumes, produzido pelo CNJ com apoio técnico do programa Fazendo Justiça e em parceria com a Associação de Prevenção da Tortura (APT). Os dados coletados nas inspeções devem ser registrados até o quinto dia do mês subsequente no Cadastro Nacional de Inspeções nos Estabelecimentos Penais (CNIEP), lançado pelo CNJ em 2009 e atualizado para acompanhar a nova metodologia em 2025. 

CNIEP permite gerar relatórios que compilam as informações do estabelecimento de privação de liberdade e registra as providências adotadas, auxiliando no monitoramento das condições prisionais, na tomada de decisões e no planejamento de ações corretivas. Essas informações também alimentam o Geopresídios, plataforma pública do CNJ lançada em 2011 que reúne dados em formato georreferenciado, com diagnósticos temáticos.  

A nova metodologia de inspeções e o novo CNIEP são, ainda, a base para a realização dos Mutirões Nacionais de Habitabilidade no Sistema Prisional, conforme as metas do plano Pena Justa.  

A atualização de 2025 também trouxe melhorias de usabilidade e funcionalidades, como: 

  • Perfis específicos para corregedorias e Grupos de Monitoramento e Fiscalização (GMFs).; 
  • Indicadores de preenchimento e progresso das inspeções.; 
  • Preenchimento offline.; 
  • Integração automática com o Geopresídios, garantindo que os dados fiquem disponíveis para consulta e análise. 

O novo CNIEP (Cadastro Nacional de Inspeções em Estabelecimentos Penais), lançado em setembro de 2025, alimenta diretamente o novo Geopresídios com informações das inspeções judiciais mensais, realizadas em conformidade com a Resolução CNJ n. 593/2024. A partir dele, juízes e juízas registram dados sobre temas mensais, como saúde, habitabilidade, segurança ou serviços, incluindo registros fotográficos e observações detalhadas.  

O Geopresídios plataforma pública do CNJ para consulta de dados sobre estabelecimentos penais, população prisional e vagas disponíveis no sistema penitenciário brasileiro, possibilita a geração de relatórios, indicadores e diagnósticos temáticos. Esses recursos apoiam a atuação de juízes, corregedorias, órgãos de fiscalização e da sociedade no acompanhamento das condições do encarceramento. Assim como o CNIEP, o Geopresídios passou por atualização para incorporar os conceitos da nova Metodologia de Inspeções Judiciais. E, será lançado em breve, ainda no ano de 2025. 

A integração entre as plataformas consolida o Geopresídios como uma ferramenta estratégica para o monitoramento do sistema prisional, fortalecendo a implementação de políticas públicas e contribuindo para a superação do estado de coisas inconstitucional, conforme previsto no Plano Pena Justa. 

Conteúdo de responsabilidade do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF)
E-mail: dmf@cnj.jus.br
Telefone: (61) 2326-4796