Rede de Inteligência da 1ª Região apresenta robô Servidor Virtual para apoio à atividade judicial

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Reprodução do livro Inteligência Artificial. Foto: G.Dettmar/Ag.CNJ

A Rede de Inteligência da 1ª Região (Reint-1) apresentou na última terça-feira (26/5) o robô Servidor Virtual, automação processual voltada à triagem, etiquetamento e juntada de minutas no Processo Judicial Eletrônico (PJe) em matérias previdenciárias dos juizados especiais federais (JEFs).

Com mais de 200 participantes, o encontro foi conduzido pelos idealizadores da ferramenta: o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk e o servidor Ageilson Rodrigues da Silva, ambos da Subseção Judiciária de Ji-Paraná, vinculada à Seção Judiciária de Rondônia (SJRO).

Na abertura, o coordenador acadêmico da Reint-1, desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, destacou o papel da Rede como espaço de inovação colaborativo no âmbito da Justiça Federal da 1ª Região. “Por meio da Rede, a força criativa e inovadora dos juízes e servidores tem se manifestado nessas rodas de conversa. Esses encontros têm se mostrado ativos e eficientes, portanto, é sempre uma alegria estar aqui”, afirmou o magistrado.

Servidor Virtual

Criado em RPA (Robotic Process Automation), o robô Servidor Virtual utiliza inteligência artificial integrada para realizar a triagem de processos, identificar documentos obrigatórios, aplicar etiquetas automaticamente no PJe e encaminhar minutas previamente aprovadas pelos magistrados. A automação também é capaz de gerar relatórios e indicar situações que demandam análise de servidoras e servidores.

Segundo o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk, a ferramenta passou por uma ampla fase de aprimoramento após sua chegada à Vara Federal de Ji-Paraná, em maio de 2025. “Depuramos os erros, ajustamos os fluxogramas e solicitei que fosse criada uma interface amigável que pudesse ser utilizada por qualquer usuário. Depois, criamos fluxos para tornar a automação customizável. Hoje o robô permite que qualquer magistrado adapte as funcionalidades de acordo com sua realidade”, explicou.

De acordo com o juiz, um dos diferenciais da ferramenta é a possibilidade de personalização conforme a realidade de cada unidade judicial. O sistema permite configurar fluxos específicos, modelos de decisão, etiquetas e critérios de triagem sem necessidade de alteração no código-fonte.

Durante a demonstração ao vivo, o servidor Ageilson Rodrigues da Silva explicou como o sistema realiza a leitura dos documentos processuais, identifica inconsistências e direciona automaticamente os processos conforme os parâmetros previamente definidos pela unidade judicial.

Segundo o servidor, quando há divergências ou ausência de documentos, o robô emite relatórios para revisão humana. “Esse robô não substitui o servidor. Ele auxilia o trabalho. Em muitos casos, ele identifica exatamente onde está o possível problema e deixa a validação e a análise para o usuário”, afirmou.

A ferramenta também automatiza etapas operacionais do PJe, incluindo etiquetamento, movimentações processuais e inserção de códigos da tabela processual da magistratura. “Ele junta a decisão e, na minha visão, ajuda demais. Inclusive, aquele código que dá muito trabalho ficar inserindo no PJe, o robô já o coloca automaticamente, e isso também é personalizável”, explicou Frank Zakalhuk.

O juiz destacou, ainda, que opta por manter a ferramenta sob sua supervisão, justamente para monitorar eventuais mudanças. “Eu deixo o robô trabalhar, e o processo é enviado para minha caixa para validação. Assim, consigo acompanhar possíveis erros. Às vezes há atualização do PJe ou mudança na interface das plataformas de IA, e a automação precisa ser ajustada”, explicou.

Segurança da informação

Durante a reunião foram debatidos os temas Segurança da Informação e o Uso de Ferramentas de Inteligência Artificial em Ambiente Judicial. Os participantes levantaram questionamentos sobre proteção de dados, uso de plataformas privadas e riscos de manipulação de prompts.

Em resposta, os apresentadores esclareceram que o sistema não atua em processos sigilosos e que todas as decisões permanecem sob controle humano. “O robô não escreve decisões sozinho. Ele trabalha com modelos previamente definidos e toda a atuação pode ser auditada. Isso traz mais segurança e confiabilidade ao sistema”, explicou Ageilson da Silva.

O magistrado Frank Zakalhuk ressaltou que a iniciativa já vinha sendo desenvolvida há algum tempo, mas que a equipe aguardou o sistema adquirir mais maturidade antes de apresentá-lo à Rede. “Optamos por expandi-lo após estar bem validado. Estamos trazendo hoje para a Rede porque entendemos que ele já apresenta confiabilidade jurídica para utilização”, declarou.

Ao fim do encontro, os participantes discutiram a possibilidade de elaboração de uma Nota Técnica sobre a ferramenta e demonstraram interesse na expansão do projeto para outras unidades da Justiça Federal da 1ª Região.

Fonte: TRF-1

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