Acolhimento de crianças e adolescentes, destituição do poder familiar e monoparentalidade feminina
uma análise a partir de dados disponíveis no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA)
DOI:
https://doi.org/10.54829/revistacnj.v10i1.1017Palavras-chave:
acolhimento institucional, destituição do poder familiar, monoparentalidade feminina, justiça reprodutiva, Sistema Nacional de Adoção e AcolhimentoResumo
O artigo trata da relação entre acolhimento institucional, destituição do poder familiar e monoparentalidade feminina, a partir da análise de dados extraídos do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), gerido pelo Conselho Nacional de Justiça. Tem como objetivo investigar os impactos da presença exclusiva da mãe no registro civil de crianças e adolescentes acolhidos sobre os desfechos relacionados ao acolhimento, à reintegração familiar, à adoção e à destituição do poder familiar. Adota-se metodologia quantitativa, baseada na análise de dados institucionais do SNA, examinados à luz do referencial teórico da justiça reprodutiva. Os resultados indicam a sobrerrepresentação de famílias monoparentais femininas no acolhimento institucional, especialmente na faixa etária de 0 a 2 anos, bem como maior incidência de adoção e menor ocorrência de reintegração familiar. Observa-se, ainda, maior celeridade nos processos envolvendo crianças com referência exclusivamente materna, tanto no tempo de permanência no acolhimento quanto até a sentença de destituição do poder familiar. Conclui-se que tais dinâmicas refletem desigualdades estruturais que impactam o exercício do cuidado e evidenciam a necessidade de aprimoramento dos instrumentos de produção de dados e das políticas públicas voltadas à preservação dos vínculos familiares.
Submetido em: 10/4/2026
Aceito em: 19/5/2026
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