Justiça do Trabalho faz ação de cidadania, inclusão e novas oportunidades para comunidade surda em Belém

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Foto: Ascom/TRT8

Com o apoio da comunidade surda e dos professores de Libras e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania do TRT-8 (Cejusc Belém), realizou, em 25/8, a 4ª edição do projeto Vamos Resolver Juntos?,  voltado para a comunidade surda. A ação levou debates sobre direitos, cidadania, luta contra capacitismo, inclusão, balcão de talentos, ofertas de cursos profissionalizantes, entre outras atividades. A programação integra o projeto Conciliar e Incluir, do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A universitária de pedagogia Beatriz Barbosa é surda, e com ajuda da intérprete de Libras concedeu entrevista à equipe do TRT-8. Ela afirmou que o evento foi essencial para realizar um sonho adormecido: estudar moda. “Esse evento foi muito importante para que a gente venha aprender, de forma visual, sobre as questões da palestra, as temáticas, sobre a questão de vaga de trabalho, acessibilidade, conflitos dentro do nosso ambiente de trabalho e de como resolvê-los. Me interessei pelo curso de moda. Eu amo moda. Eu amo me vestir de forma diferente também. Antes, eu era bem simples na forma de me vestir, mas eu fui estudando e fui adquirindo a minha identidade na questão da moda. É o meu sonho. Atualmente, eu só estudo na faculdade, faço pedagogia, e antes eu trabalhava na escola atendendo alunos surdos, agora estou à procura de estágio, também tentando me identificar mais com essa questão do curso de moda”, conta.

A universitária surda Thaís Batista, 31 anos, também concedeu entrevista por Libras e falou que está quase se formando no curso de Letras pela Universidade Federal do Pará. “É a primeira vez que estou aqui neste evento, aceitei participar pelas palestras, pois queria conhecer o que o Senai tinha a oferecer para a nossa comunidade. Agradeço muito pelo convite de estar aqui participando, pelos momentos de palestras e atividades”, festejou.

A coordenadora de Apoio ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas, Carol Savino, comemorou o sucesso da iniciativa do Cejusc Belém. “O Projeto Vamos Resolver Juntos? transformou informação em oportunidades reais, proporcionando inscrições em cursos do Senai, orientação sobre os serviços do Sine e uma vivência prática da conciliação, mostrando que inclusão, diálogo e novas oportunidades podem transformar caminhos”, comentou.

Luísa Leão, da Comissão de Acessibilidade do TRT-8, conta que toda a programação teve o apoio da comunidade surda e dos intérpretes de Libras. “O evento foi todo construído em diálogo entre a Comissão de Acessibilidade e a comunidade surda, para entender as demandas. O que eles esperavam da gente, de que forma essa ação poderia efetivamente contribuir para o acesso ao trabalho, o acesso ao direito, qual a melhor forma de comunicar, de expressar aquilo que a gente estava pretendendo com a ação, para que a gente pudesse chegar na comunidade surda. Contamos com todo esse apoio e tivemos um bom resultado com a presença deles aqui, trazendo suas experiências, suas expertises e as suas demandas. Que a gente possa cumprir o nosso papel social enquanto instituição e enquanto Tribunal Regional do Trabalho”, pontuou.

Oportunidades X Profissionalização  

Participaram como parceiros do evento a Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Pará, por meio da Comissão da Pessoa com Deficiência representando. Para a advogada Vanessa Dias, a inclusão remove barreiras e cria condições concretas de autonomia e dignidade para as pessoas com deficiência.

Pelo Senai, participou a coordenadora de Educação Profissional, Ilma Oliveira, que apresentou um balcão de oportunidades profissionais e de talentos como: Programa Senai de Ações Inclusivas. “Nós do Senai trabalhamos a inclusão social, a equidade e o acesso ao mercado de trabalho, e nossos materiais são adaptados para as pessoas com deficiência. Utilizamos também recursos de tecnologias assistivas”, finaliza.

A presidente em exercício do TRT-8, desembargadora Rosita Nassar, destacou que evento integra a programação nacional do Tribunal Superior do Trabalho (TST), denominada Conciliar e Incluir, e que o acesso à Justiça somente é pleno quando é garantido a todas pessoas, para que possam ser compreendidos e compreendidas.

Também participaram da programação a desembargadora do TRT-8 Francisca Oliveira Formigosa, coordenadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Nupemec); o juiz do trabalho, Francisco Monteiro Júnior, coodenador do Cejusc Belém; magistrados e servidores do TRT-8 e sociedade civil.

Fonte: TRT-8