A Escola Judicial de Pernambuco (Esmape) promoveu, nos dias 8 e 9 de junho, a primeira edição do Festival de Inteligência Artificial do Judiciário (FIAJ), em uma imersão inédita sobre os impactos e as possibilidades da IA no sistema de justiça brasileiro. A supervisora da Política de Inovação do Poder Judiciário, conselheira do CNJ Andréa Cunha Esmeraldo, participou da solenidade de abertura.
A conselheira enfatizou a importância da iniciativa para o fortalecimento da cultura de inovação no Judiciário brasileiro e destacou o caráter pioneiro do FIAJ. Ela também defendeu o uso da inteligência artificial como uma ferramenta indispensável para lidar com o elevado volume de processos em tramitação no país — 80 milhões de processos em tramitação, de acordo com o relatório do Justiça em Números 2025, publicado pelo CNJ. “Os números são realmente assustadores. Não há como fazer frente a isso sem o auxílio dessas ferramentas. Vai muito mais além de meramente a otimização de tarefas repetitivas, porque já seria muito nesse cenário tão gigantesco de processos”, realçou.

O encontro teve o apoio institucional do CNJ e foi realizado por meio do Instituto de Desenvolvimento de Inovações Aplicadas ao TJPE (Ideias TJPE), com parceria do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), com a participação de integrantes da magistratura, servidoras e servidores de tribunais de todo o país, outros integrantes do sistema de justiça, estudantes e demais interessados para refletir sobre o papel das novas tecnologias no contexto judicial.
A diretora-geral da Esmape, desembargadora Daisy Andrade Pereira, deu as boas-vindas a todas as pessoas presentes e celebrou a dimensão nacional do festival. A magistrada também ressaltou iniciativas que modernizam os serviços judiciais no estado. “Com o apoio do TJPE, já realizamos entregas de inovação, por meio do Ideias TJPE, que é o braço direito da Escola Judicial, o +Autonomia e o Maia”, citou.
O presidente do TJPE, desembargador Francisco Bandeira de Mello, falou que a transformação do Poder Judiciário depende da capacidade de adaptação às novas demandas da sociedade e do uso responsável da tecnologia. “O Poder Judiciário não é obra da natureza, é uma construção humana. Como toda construção humana, ela pode e deve evoluir. Nós temos condições para isso. A gente precisa apenas enfrentar os desafios que se colocam: dificuldades de aprendizado, dificuldades de capacitação, dificuldades de nos superar, às vezes, deixar de lado o costume, aprender novas formas de viver a vida e de fazer a Justiça”, expressou.
Também participaram da abertura: o corregedor-geral da Justiça de Pernambuco, desembargador Alexandre Guedes Alcoforado Assunção; o procurador do Estado Renato Maia; e a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional Pernambuco (OAB-PE), Ingrid Zanella.
Programação
Entre momentos de manifestações culturais pernambucanas, o evento apresentou, ao longo de dois dias, palestras, oficinas, estandes, apresentações de cases e trocas de experiências inovadoras sob o tema Encontros que Reprogramam a Justiça.
A programação do primeiro dia incluiu a conferência da filósofa e professora Anna Flávia Ribeiro, com o tema: “Entre a Liberdade e a Vigilância: o papel do Judiciário nos dilemas éticos do século XXI”. Na sequência, o hall da Esmape foi ocupado por apresentações de soluções de inteligência artificial já em funcionamento em tribunais brasileiros, compartilhadas por profissionais que estão à frente dessas iniciativas. Participaram representantes de seis tribunais de justiça, três tribunais do Trabalho, além do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com representações das cinco regiões do Brasil.
À tarde, o evento promoveu oficinas simultâneas voltadas à aplicação da inteligência artificial no Judiciário e no ambiente profissional. Os temas abordaram automação judicial, IA generativa, produtividade, segurança, ética e avaliação de impactos algorítmicos. Também foram discutidas novas competências para profissionais do Direito e estratégias para adaptação às transformações tecnológicas.
Outra palestra apresentada foi a de Gary A. Bolles, com o título O Sistema Operacional da Justiça na Era da IA. Encerrando as atividades, o fundador da startup New School, especializada em educação digital para jovens, Jotapê Malara, apresentou reflexões sobre transformação social e reforçou a importância do projeto Boyzinho de Respeito. Lançada em 2025, a iniciativa dissemina conteúdos gratuitos sobre masculinidades e prevenção à violência contra meninas e mulheres entre estudantes da Rede Pública Estadual de Pernambuco, em parceria com o Judiciário estadual.
O segundo dia contou com a palestra Humanware, conduzida por Dante Freitas e Renan Hannouche, sócios da Gravidade Zero e professores da SingularityU Brazil. Na sequência, uma nova rodada de apresentações trouxe experiências desenvolvidas por tribunais brasileiros, com foco em escala, governança e impacto institucional. Compartilharam suas iniciativas: TJPE, TJCE, TJRO, TRE-PI e TJTO.
Além da oportunidade de participar de oficinas já realizadas no dia anterior, o público teve acesso a novos conteúdos. A programação abordou aplicações da inteligência artificial no Judiciário, com foco em automação, produtividade, inovação e mineração de processos.
No eixo Arte e Tecnologia, a advogada e designer de serviços jurídicos Cynara Batista apresentou a palestra “Uma Antena de Futuros Fincada no Judiciário: entre algoritmos, pessoas e os sinais do novo tempo”.
Ao longo dos dois dias, o hall da Esmape também concentrou estandes voltados à demonstração de soluções tecnológicas, compartilhamento de materiais institucionais, networking e construção de parcerias.
Central FIAJ
O “EPod?”, videocast da Esmape, também desempenhou um papel de destaque durante o festival. Ao longo da programação, a servidora do TJPE Mônica Alcântara conduziu entrevistas exclusivas com convidados especiais, ampliando os debates e aprofundando reflexões sobre os temas abordados no FIAJ.
Participaram das conversas Jotapê Malara, Anna Flávia Ribeiro, os juízes Rodrigo Terças e Vinícius Galhardo, além de Dante Freitas, Renan Hannouche e Cynara Batista. Os episódios produzidos durante o evento estarão disponíveis em breve no canal da Esmape no YouTube, o Esmape TJPE. Acesse as entrevistas aqui.
Fonte: TJPE
