Comitê PopRuaJud leva arte das ruas para dentro do CNJ

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Exposição itinerante "A Arte do Povo da Rua". Foto: Rômulo Serpa/CNJ

A arte produzida por pessoa em situação de rua ganhou, nesta segunda-feira (9/3), espaço no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o lançamento do livro Escritos do Asfalto, de autoria do integrante do Movimento Nacional de População de Rua, Samuel Rodrigues, e da exposição “A arte do povo da rua”.  

“Quando o próprio CNJ abre as suas portas para uma exposição de arte de pessoas em situação de rua e traz também poesia para dentro do Conselho, é a assunção de um compromisso com essa camada da população”, considerou a juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Adriana Melônio, durante debate realizado no evento de lançamento.  

A iniciativa integra a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e Suas Interseccionalidades, instituída pela Resolução CNJ n. 425/2021 e conduzida pelo Comitê PopRuaJud.  

“O movimento de população de rua e o PopRuaJud vieram para lembrar que o Direito deve pulsar no ritmo da vida de dores, mas também de muita resistência”, acrescentou Adriana Melônio.  

A juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Luciana Ortiz, que atua como coordenadora executiva do Comitê PopRuaJud, destacou que a arte expressa um quadro de injustiça social. “Quantos talentos nós temos nas ruas e quantos estão nelas por uma questão maior?”, refletiu.  

“Quando oportunidades se abrem para quem está em situação de rua, mostrar um talento tão forte de quem vivenciou e experimentou não ter nada, não ser enxergado por ninguém e dar essa volta por cima, realmente é algo que nos emociona profundamente”, afirmou.  

Exposição 

A exposição itinerante “A Arte do Povo da Rua” reúne fotografias, pinturas e desenhos de artistas de rua de São Paulo em centros de acolhida da capital, como Victory, Cambuci, 9 de Julho, Morada São João e Hotel América do Sul.  

A mostra foi organizada pelas defensoras públicas Katia Cilene Giraldi e Vania Pereira Agnelli, com curadoria da juíza federal Laura Giordano e da curadora de arte Sofia Agnelli Sabin Casal. 

“A exposição nasceu de alguns projetos da Defensoria Pública que nós desenvolvemos no centro da cidade de São Paulo, uma região onde se concentra a maior quantidade de pessoas em situação de rua, não somente da capital, como do estado de São Paulo e do Brasil”, explicou Katia Cilene Giraldi. 

“São mais de 50 artistas e mais de 100 obras que incluem esculturas e quadros. No ano passado, viajamos com a exposição para cinco mutirões PopRuaJud, além do encontro nacional do Comitê”, informou. 

A exibição permanece em cartaz até sexta-feira (13/3), aberta ao público das 11h às 19h.

Livro 

No livro Escritos do Asfalto, Samuel Rodrigues reúne histórias e experiências de pessoas que viveram nas ruas. O autor passou 13 anos em situação de rua e coletou relatos principalmente durante a pandemia da Covid-19. 

Lançamento da obra Escritos do Asfalto – Samuel Rodrigues. Foto: Rômulo Serpa/CNJ

 

A obra, publicada pela Arte Impressa Editora, reúne 60 poesias inspiradas nessas experiências. Segundo o autor, o livro reafirma a cultura como instrumento de superação, cidadania e política pública. “Fazer cultura com a rua, fazer cultura para e com a rua” é, para ele, o sentido central da obra. 

Texto: Mariana Mainenti
Edição: Beatriz Borges
Revisão: Luana Guimarães
Agência CNJ de Notícias

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