CNJ premia tribunais que se destacaram na promoção da equidade racial na Justiça

Você está visualizando atualmente CNJ premia tribunais que se destacaram na promoção da equidade racial na Justiça
Entrega do 2º Prêmio da Equidade Racial - Fotos: G. Dettmar/ CNJ

Na semana em que se comemora o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconheceu os tribunais brasileiros que se destacaram na promoção da igualdade racial no sistema judiciário. A cerimônia de entrega do 2º Prêmio de Equidade Racial ocorreu na sede do CNJ, em Brasília, nesta segunda-feira (17/11). Treze cortes foram agraciadas por suas ações ou práticas no combate ao racismo estrutural.  

Presidente do CNJ e do Supremo Tribunal de Justiça (STF), o ministro Edson Fachin abriu o evento e afirmou a importância de o Conselho cumprir o dever de contribuir na construção de uma sociedade mais justa e solidária, sem discriminação. “A Constituição de 1988 exige do Estado uma postura ativa, consciente e resolutiva de combate das desigualdades historicamente acumuladas. Nesse ponto, se revela o papel fundamental do Poder Judiciário, mais especificamente do CNJ, um indutor de políticas públicas judiciárias estruturantes que conferem resolutividade a esse mandamento ético”, disse.  

O ministro apontou que o racismo estrutural está na vida concreta da sociedade brasileira e elogiou os 13 tribunais premiados, que agem para garantir a equidade na Justiça e refletir a diversidade da sociedade. “Esse prêmio é um selo de responsabilidade. A presença de pessoas negras na magistratura, nas chefias e nos quadros de servidoras e servidores não é uma concessão, é condição sem a qual a legitimidade democrática do Judiciário não se instala plenamente”, pontuou. 

Somente 14% da magistratura, 24% de integrantes de cargos comissionados e 27% dos servidores se autodenominam negros. O presidente do Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Equidade Racial, conselheiro João Paulo Schoucair, disse estar em curso mutirão que busca reduzir em 20% o número de processos que tenham como pano de fundo a pauta racial. Ele também reforçou a importância do prêmio como forma de estimular ações que enfrentem o racismo. 

 “Estamos enfrentando um problema que é histórico e caminhando para encontrar formas de minimizar seus efeitos. Hoje, premiamos boas práticas que não apenas devem ser reconhecidas, mas, se possível, espraiadas pelos outros tribunais”, disse. 

A premiação, organizada em dois eixos, busca valorizar iniciativas concretas de enfrentamento ao racismo estrutural no Judiciário. A categoria Boas Práticas reconhece ações e programas inovadores desenvolvidos pelos tribunais, enquanto a modalidade Desempenho avalia quantitativamente os resultados por meio do Indicador de Desempenho na Promoção da Equidade Racial (Iper).  

O instrumento mensura a representatividade de pessoas negras em cargos de magistratura, servidores e funções de chefia, além de considerar a participação em comitês e eventos institucionais. Também são pontuadas ações como capacitações em equidade racial, campanhas de conscientização, canais de denúncia e programas de incentivo à diversidade. A apuração do Iper foi conduzida pelo Comitê Executivo do Fórum Nacional de Equidade Racial (Fonaer), com apoio técnico do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ/CNJ) e do Programa Justiça Plural, parceria entre o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). 

Premiados 

No eixo Desempenho, o primeiro lugar foi dividido entre o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) e o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), ambos com 100% da pontuação relativa. No eixo Desempenho, o segundo lugar foi atribuído ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) e o terceiro ao Superior Tribunal Militar (STM).  

A menção honrosa foi concedida a três tribunais que apresentaram maior evolução percentual em relação ao ano anterior: o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), com aumento de 55%; o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (RO/AC), com 53%; e o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), com 52%. 

Participaram da cerimônia a secretária-geral, Clara Mota; o secretário-geral do Conselho da Justiça Federal (CJF), Erivaldo Ribeiro dos Santos; o vice-presidente e corregedor do Superior Tribunal Militar (STM), ministro presidente brigadeiro do ar, Francisco Joseli Parente Camelo; o conselheiro Guilherme Feliciano; e outras magistradas e magistrados. 

Veja os premiados na categoria Boas Práticas:

Reveja a cerimônia de entrega do Prêmio Equidade Racial 2025 no canal do CNJ no YouTube

 

Acesse mais fotos do evento no Flickr
17/11/2025 - Prêmio da Equidade Racial - Entrega do Prêmio da Equidade Racial

 

Texto: Regina Bandeira
Edição: Thaís Cieglinski
Revisão: Caroline Zanetti
Agência CNJ de Notícias

Macrodesafio - Aperfeiçoamento da gestão administrativa e da governança judiciária