Caminho do Acordo leva cerca de 600 atendimentos à Aldeia Água Branca no MS

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Comunidade da Terra Indígena Taunay / Ipegue foi atendida no Caminho do Acordo (Foto: Juliano Dervalho)

A população da Terra Indígena Taunay/Ipegue, localizada na Aldeia Água Branca, em Aquidauana (MS), recebeu cerca de 600 atendimentos de justiça e cidadania nos dias 26 e 27/5, durante a 11ª edição do projeto Caminho do Acordo. A iniciativa foi coordenada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e pela Justiça Federal em Mato Grosso do Sul (JFMS), com apoio de instituições parceiras.

A ação teve o objetivo de ampliar o acesso da população local e de comunidades vizinhas a serviços essenciais, especialmente em áreas com dificuldades de deslocamento até centros urbanos. Os atendimentos foram realizados na Escola Municipal Indígena Francisco Farias.

O mutirão reuniu órgãos como a Defensoria Pública da União (DPU), a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul (DPE-MS), a Procuradoria Federal, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Prefeitura de Aquidauana.

Durante os dois dias, foram firmados 33 acordos para concessão de benefícios previdenciários, que resultaram em cerca de R$ 107 mil em Requisições de Pequeno Valor, além da propositura de 41 ações pela Justiça Federal. O INSS realizou 87 atendimentos; a DPU, 96; a DPE, 67; e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), 67. Além disso, houve a emissão de 179 Carteiras de Identidade Nacional (RG) e foram realizados 101 registros no Cadastro Único (CadÚnico).

Impacto nas comunidades 

O juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), José Gomes de Araújo Filho, destacou a iniciativa como fundamental para ampliar o acesso à justiça. Segundo ele, o programa fortalece a cidadania ao levar serviços jurídicos diretamente às comunidades e integra os esforços previstos na Resolução n. 460, que regulamenta a Justiça Itinerante. O CNJ manifestou apoio à expansão do projeto, com a possibilidade de replicação em outros estados, como São Paulo. A iniciativa é considerada estratégica para garantir a presença do Judiciário em regiões remotas e assegurar direitos de forma mais célere e próxima da população.

Para o cacique Julisson Farias, a ação trouxe resultados concretos e necessários. Ele ressaltou que a principal dificuldade da comunidade é a distância até a cidade e as barreiras enfrentadas ao buscar atendimento fora da aldeia.  “Às vezes, encontramos portas fechadas. Por isso, trazer a Justiça até a comunidade é essencial”, afirmou.

A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Indígena Francisco Farias, Regiane Estêvão, também enfatizou os benefícios da iniciativa, como a emissão de documentos e a realização de audiências previdenciárias.  Segundo ela, muitas famílias não têm condições de arcar com deslocamentos frequentes para resolver demandas judiciais. “A presença do projeto trouxe desfechos positivos e gerou um sentimento de felicidade e gratidão na comunidade”, disse.

Histórias de beneficiados 

Entre os atendidos, o agricultor Marivaldo Gomes comemorou a concessão de sua aposentadoria por idade rural. Ele já havia tentado o benefício anteriormente. Com problemas de saúde na coluna, afirmou que o resultado trouxe alívio. “Agora estou mais tranquilo. Esse projeto aqui na aldeia é uma benção”, declarou.

Outro caso marcante foi o de Elizete Dias, que teve a aposentadoria concedida no dia em que completou 55 anos. Durante a audiência, conduzida pelo juiz federal Fernando Nardon, ela afirmou que o benefício seria seu presente de aniversário.  Após a confirmação do direito, houve celebração entre os presentes, com direito a “Parabéns para você”.

Já Cleide Dias Martins também conquistou a aposentadoria rural após tentativas anteriores frustradas.  Ela destacou a importância do benefício para custear despesas, especialmente com medicamentos, e elogiou o atendimento. “Foi maravilhoso. Isso ajuda muito, porque é difícil ir até a cidade”, afirmou.

Estiveram presentes na ação o desembargador federal Carlos Muta, o diretor do Foro da JFMS, juiz federal Fernando Nardon Nielsen, o defensor público da União Welmo Rodrigues Nunes, além de representantes de instituições parceiras.

Serviços e acesso à Justiça 

O projeto Caminho do Acordo promove atendimentos pré-processuais voltados, principalmente, a demandas previdenciárias, como aposentadoria por idade rural, pensão por morte e salário-maternidade. A proposta é levar magistrados, servidores e equipes diretamente às aldeias, reduzindo barreiras geográficas e sociais no acesso à Justiça.

Esta foi a segunda edição do projeto em Aquidauana. A primeira ocorreu na Aldeia Ipegue. Ao todo, já foram realizadas nove edições em diferentes comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, como Bororó e Jaguapiru (Dourados), Buriti (Dois Irmãos do Buriti), Lalima (Miranda), Te’yi’kue (Caarapó), Amambai, São João (Porto Murtinho), Cachoeirinha (Miranda) e Patagônia (Terenos).

Em abril, o projeto do TRF-3 e da JFMS foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conquistando o segundo lugar na categoria Responsabilidade Social do Poder Judiciário. Com resultados positivos e o reconhecimento institucional, o Caminho do Acordo se consolida como uma política de Justiça Itinerante voltada à inclusão social e ao fortalecimento da cidadania entre povos indígenas.

Fonte: TRF-3