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Ministra Cármen Lúcia chamou a atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher, fazendo referência aos casos de feminicídio. FOTO:G.Dettmar/AG.CNJ
Ministra Cármen Lúcia chamou a atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher, fazendo referência aos casos de feminicídio. FOTO:G.Dettmar/AG.CNJ

As conquistas da mulher bem como os desafios que enfrenta por reconhecimento e inserção na sociedade estiveram em debate no seminário “Elas por Elas”. O evento organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reuniu, na segunda-feira (20/8), no Supremo Tribunal Federal (STF), mulheres que são autoridades do Poder Judiciário, executivas no setor privado e nomes proeminentes do mundo das artes e do entretenimento.

A situação do sexo feminino foi abordada em duas temáticas: “A Mulher e o Poder Estatal” e a “A Mulher e o Poder na Sociedade”, colocando em discussão os avanços das últimas décadas, mas também a desigualdade persistente em várias esferas como em relação aos direitos, remuneração e participação em cargos de chefia.

Ao fazer a abertura do evento, a presidente do CNJ e do STF, ministra Cármen Lúcia, chamou a atenção para o aumento dos casos de violência contra a mulher, fazendo referência aos casos de feminicídio. “Ainda hoje é comum o enforcamento de mulheres que significa, simbolicamente, calar a sua voz”, comentou.

Para a ministra Cármen Lúcia, a mulher precisa buscar reconhecimento em uma postura de agente ativo da sua mudança. “É responsabilidade da mulher que as coisas mudem e se transformem para que tenhamos realmente igualdade de condições, homens e mulheres, juntos tentando construir um mundo melhor.”

Em sua contribuição para o debate, a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz, lembrou a pouca participação da mulher no Poder Estatal e, especificamente, no Poder Judiciário. “De 33 ministros no STJ, somos apenas seis. E de 11 ministros no STF, somos duas mulheres e até hoje nunca vimos uma mulher na presidência do Tribunal Superior do Trabalho”, disse.

Ao falar da importância da Lei Maria da Penha e da lei do feminicídio, Laurita Vaz lembrou que nem mesmo a existência desse arcabouço legal está sendo capaz de dissuadir homens violentos.

Também participaram do debate: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge; a advogada-geral da União, Grace Mendonça; e a procuradora-geral junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Cristina Machado.

Eleitorado feminino

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, informou que as mulheres são 52,5% do eleitorado brasileiro que irá às urnas nas eleições gerais deste ano. São 73,3 milhões de mulheres frente a 69,9 milhões de homens, totalizando 147,3 milhões de eleitores. A maior faixa é das mulheres eleitoras com idades entre 45 e 49 anos, seguida pela faixa de 25 a 34 anos.

Ao apresentar esses dados, Rosa Weber, abordou o tema da mulher na representação política. “Há uma desproporcionalidade entre o número de mulheres candidatas e o número de mulheres politicamente ativas aptas a votar e serem votadas”, disse.

Segundo dados apresentados pela presidente do TSE, dos 27.835 pedidos de registro de candidaturas apresentados para 1.654 cargos eletivos em disputa nas eleições deste ano, 8.535 (30,70% do total) são mulheres frente a 19.290 homens (69,30% do total).

A ministra encerrou sua participação no evento chamando a atenção para a sub-representação feminina na política e fazendo uma conclamação às eleitoras. “Façamos, mulheres, ao exercer todas nós esse direito essencial da cidadania, que é o voto, a diferença para o fortalecimento do Estado democrático de direito, conquista diária e permanente de todos nós, com a consciência de que em nossas mãos está o destino do País, na construção de uma sociedade igualitária, justa e inclusiva.”

Canal direto com mulheres

No painel “A mulher e o Poder na Sociedade”, a presidente da companhia Magazine Luiza, Luiza Trajano, informou que 50% da força de trabalho da rede varejista é formada por mulheres de todas as idades.

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(Da esq. para a dir.): a presidente da Rede Sarah de Hospitais, Lucia Braga; a presidente da Rede Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano; a sócia-fundadora da consultoria empresarial Betânia Tanure Associados, Betânia Tanure; da cantora Alcione; a presidente do grupo financeiro Goldman Sachs, Maria Silvia Bastos; e a primeira-secretária da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado.

Considerando a presença do sexo feminino, a rede Magazine Luiza criou um canal direto com as mulheres em uma espécie de boletim sobre indícios de violência doméstica. “Já tivemos 120 casos desses e salvamos vidas”, disse Luiza Trajano.

No mundo das artes, a escritora Ana Maria Machado, primeira-secretária da Academia Brasileira de Letras, trouxe à tona a questão do acesso à cultura e à educação, historicamente restrito às mulheres em comparação aos homens.

A escritora lembrou que, décadas atrás, às estudantes mulheres não era permitido o ensino do latim e do grego, o que as impedia de ter acesso aos grandes clássicos da antiguidade e às grandes personagens femininas como Antígona, da tragédia grega de Sófocles. “Entre os casos de feminicídio mais frequentes hoje está o esganamento. A mulher é sufocada, estrangulada porque está falando muito. Essa ideia de que não pode estudar, não pode falar”, comentou a escritora.

A cantora Alcione encerrou o seminário “Elas por Elas” e falou sobre a importância de diversas mulheres de várias classes sociais na sociedade brasileira, entre as quais a vereadora Marielle Franco (Psol), morta a tiros em março deste ano no Rio de Janeiro em circunstâncias que ainda estão sob investigação.

Também participaram do painel: a presidente do grupo financeiro Goldman Sachs, Maria Silvia Bastos; a presidente da Rede Sarah de Hospitais, Lucia Braga; e a sócia-fundadora da consultoria empresarial Betânia Tanure Associados, Betânia Tanure.

Luciana Otoni
Agência CNJ de Notícias


Tópicos: mulher

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